HISTÓRIAS DO RIO · LUGARES

Rio Carioca

Foto: Rio Carioca, Wikipédia/Wikimedia Commons

O Rio Carioca é um rio localizado no município do Rio de Janeiro, no Brasil. Nasce na Floresta da Tijuca, percorre os bairros de Cosme Velho, Laranjeiras, Catete e Flamengo e deságua na Baía de Guanabara, na altura da Praia do Flamengo. A maior parte de seu curso é, atualmente, subterrâneo: em apenas três trechos, suas águas correm a céu aberto. O primeiro, na sua nascente, na Floresta da Tijuca; o segundo, junto ao Largo do Boticário, no Cosme Velho e o terceiro, na sua foz na Praia do Flamengo, junto à estação de tratamento de efluentes.

Etimologia

O termo "carioca" é de origem tupi e foi adotado como gentílico a partir do nome do Rio Carioca, principal fonte de água potável da cidade por um longo tempo. No entanto, a história da etimologia palavra contou com diferentes interpretações.

Historicamente, a tese mais difundida foi a que a palavra significaria "casa de homem branco": kara'iwa (homem branco) + oka (casa), como referência a uma suposta casa de pedra construída próxima à foz do Rio Carioca por Gonçalo Coelho, na segunda expedição portuguesa à Baía de Guanabara, em 1503-1504. Essa tese foi formulada nos anos 1850s pelo historiador Francisco Adolfo de Varnhagen, e segue até hoje bastante citada em livros contemporâneos.

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Contudo, ainda que a tese siga aparecendo em dicionários gerais e obras de referência, hoje é consenso entre linguistas que essa tese é errada, tanto do ponto de vista historiográfico quanto linguístico. Em vez disso, a tese que se apresenta é que o nome vem de kariîó + oka, "casa do indígena carijó" – nome da principal aldeia tupinambá na margem esquerda da Baía, ocupando um território na foz do Rio Carioca, correspondente aos atuais bairros da Glória, Catete e Flamengo. De fato, dois documentos históricos fundamentais apoiam essa explicação: o escritor francês Jean de Léry, que fez parte da expedição francesa que implantou a França Antártica, lista em seu Viagem à Terra do Brasil (1574), as aldeias tupinambá visitadas por ele entre 1557 e 1558, e descrever assim o nome da Aldeia Karióka (tradução de Rafael Freitas da Silva): Nessa aldeia, assim chamada, que é o nome de um ribeiro, da qual a aldeia toma o nome, por estar situada perto. Verte-se por casa dos kariós; composto desta palavra kariós [carijós] e de ók [oca], que significa casa. Tirando os 'os' e acrescentando ók, teremos kariók. Além disso, o padre José de Anchieta, em seu Auto de São Lourenço, lista todas as aldeias tupinambá derrotadas pelos portugueses ao redor da Baía, e cita tal aldeia diretamente como "Carijo oca":Yaupa Moçupiroka, Yequej, guatapitiba, […] Carijo oca, Pacucaya, Araçatiba.Ao contrário do que afirma Léry, contudo, o nome do Rio Carioca vem muito provavelmente do nome da Aldeia e não o contrário, uma vez que nomes de águas em tupi sempre terminam com o sufixo -y. Além disso, seria muito improvável que os tupinambás usassem uma referência a homens brancos para nomear tanto a sua aldeia quanto um riacho, que ao que tudo indica existem desde muito antes da chegada dos europeus.

História

O rio Carioca está intimamente vinculado ao desenvolvimento urbano da cidade, tendo sido usado como fonte de água doce desde os inícios da época colonial.

As águas do rio foram canalizadas e desviadas já nos séculos XVII e XVIII, durante a construção do Aqueduto da Carioca. Terminado em 1750, o aqueduto alimentava várias fontes e chafarizes do Rio de Janeiro colonial. Uma das principais dessas fontes localizava-se num largo no centro da cidade, o que deu origem à denominação do Largo da Carioca. O rio foi, durante toda a época colonial, a principal fonte de água doce para a população. Na altura do atual Largo do Machado, formava a lagoa do Suruí (termo proveniente do tupi siri 'y , que significa "rio dos siris"), da Carioca ou de Sacopiranha.

Da lagoa da Carioca, uma parte das águas seguia até a foz do rio na Praia do Flamengo e outra parte se desviava para a esquerda, formando o rio Catete, que desaguava na Praia do Russell, que é atualmente a Rua do Russell, no bairro da Glória. Posteriormente, tanto a Lagoa da Carioca quanto o rio Catete foram aterrados. Desde 1905, após obras do prefeito Pereira Passos, o rio corre subterraneamente na maior parte de seu curso, visando a prevenir inundações. Em 2003, começou a entrar em operação uma estação de tratamento de efluentes na foz do rio, na Praia do Flamengo. O tratamento da água é necessário devido aos esgotos clandestinos jogados no rio ao longo de seu curso, através da rede pluvial.

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Fonte do texto: Wikipédia, "Rio Carioca", licença CC BY-SA. Texto adaptado e reduzido.

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